CRUZES E ALGEMAS
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Observa o longo caminho em que transitas no mundo e notarás que todas as criaturas jornadeiam na Terra entre cruzes e algemas. Cruzes talhadas pela misericórdia de Deus. Algemas forjadas pelos próprios homens. Cruzes que elevam. Algemas que aniquilam. Cruzes que bendizem. Algemas que amaldiçoam. Cruzes que iluminam. Algemas que ensombram. Não desprezes o madeiro das obrigações em que a Sabedoria do Senhor te situa, porque todas as almas que sobem o monte da evolução, transportam consigo as cruzes redentoras do trabalho e da disciplina. Onde se destaquem progresso e sublimação ai enxameia cruzes diversas. Possuímo-las por toda parte, em todos os feitos e em todos os tons de luta. Aqui constituem o esposo difícil, a companheira desesperada e o filho ingrato e incompreensivo... Acolá, descobrimo-las na solidão e na enfermidade, na penúria e no sofrimento, na dor e no sacrifício, tanto quanto mais além, reconhecemo-las na popularidade e na inteligência, no fausto e no ouro, na responsabilidade e no poder. Procura aceitar com valor e serenidade os preciosos deveres que o Senhor te confia, porque das cruzes abandonadas nascem as trevas da rebeldia e do orgulho, que perturbam o coração e ensangüentam os filhos rebeldes da Terra. Quantos lhes abominam os braços santificantes, sacudindo-lhes o jugo, não raro, descem à sombra e à viciação, à loucura e à delinquência, em que padecem, às vezes, por séculos dolorosos, nos grilhões do remorso e do crime, do desequilíbrio e do desencanto que inventaram para si mesmos. Abraça na cruz que te honra o caminho a bênção da própria vida e agradece-lhe o suor do trabalho e as lágrimas da renúncia que te faça verter, porquanto se apenas a Cruz do Cristo, - o Anjo sem culpa, - foi capaz de instalarmos a luz da ressurreição, somente a cruz de nossas dores no resgate de nossos erros, será capaz de impelir-nos à posse da Vida Eterna. |
Pelo Espírito Emmanuel - Do livro: Taça de Luz, Médium: Francisco Cândido Xavier. |
"- Não ouvistes falar em Judas, o traidor? Sou eu que aniquilei a vida do Senhor!..." Maria Dolores Francisco Cândido Xavier Depois de muito tempo, sobre os quadros sombrios do calvário. Judas, cego no além, errava solitário... Era triste a paisagem, o céu era nevoento... Cansado de remorso e sofrimento, Sentara-se a chorar... Nisso, nobre mulher de planos superiores, Nimbada de celestes esplendores, Que ele não conseguia divisar, Chega e afaga a cabeça do infeliz. Em seguida, num tom de carinho profundo, Quase que em oração ela diz: - Meu filho, porque choras? Acaso não sabeis? – replica o interpelado, Claramente agressivo. Sou um morto e estou vivo. Matei-me e novamente estou de pé, Sem consolo, sem lar, sem amor e sem fé... Não ouvistes falar em Judas, o traidor? Sou eu que aniquilei a vida do Senhor... A princípio, julguei poder fazê-lo rei, Mas apena...
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